processo produtivo editorial
PROCESSO PRODUTIVO EDITORIAL
Existem outros ciclos produtivos antes de se chegar ao processo produtivo editorial; mas, isto será relevado na tentativa de se concentrar mais na fase do processo em si, da necessidade de informar e de como informar.
Mas, o que mais se quer é mostrar o quanto é necessária a difusão do conhecimento. Existem as mais variadas formas de expor a informação, em distintos formatos de mídia, em todo pedaço de papel ou outro meio que consiga transmitir ao seu público, de forma coesa, as informações ali inseridas.
Entende-se por publicação toda ação de tornar pública uma idéia, uma informação, uma opinião, uma entrevista, ou seja, todo ato de fazer chegar ao público um conhecimento fiel ou fictício. Passa a ser uma publicação, desde que passe por um processo de edição ou transformação, onde não só seu conteúdo é importante, mas, o seu formato, a ilustração necessária, sua apresentação e outros processos de menor valor. Somente o conteúdo, por si só, não chama a atenção necessária do público, mas, dar-se-á atenção às publicações que tenham o perfil voltado para o ramo de uma editora comercial ou por demanda, que possa mostrar como se produz uma publicação, seja ela manual, revista, cartilha e livros de um modo em geral.
No início desse processo, existe a necessidade de pessoas ou instituições fazerem a informação chegar ao público, o que se pode chamá-los de autor ou incubadora de autores, com necessidades e anseios de colocar para fora de si seu conhecimento ou suas idéias, informações que têm a necessidade de serem difundidas.
O autor ou escritor pode estar escrevendo por vontade própria ou pode estar desenvolvendo um trabalho para o qual foi contratado para transformar uma idéia e expô-la à comunidade. Seja qual for o meio de que ele se utilize, a intenção é uma só: informar e gerar conhecimento.
Depois desta fase é que entra o editor, pessoa responsável para dar mais visão ao material escrito. Junto com sua equipe, ele vai dar a melhor opção de montagem da publicação. A partir dessa fase, estar-se-á mostrando o que é uma editora e seu processo editorial, no intuito de demonstrar o porquê da necessidade, na hora de publicar, do uso dos trabalhos prestados por ela.
O que é uma editora? É um estabelecimento que publica obras impressas, gravadas, utilizando, hoje, de qualquer meio possível de difusão do material produzido pelo autor ou autores. As editoras podem ser comerciais, universitárias, governamentais e outras formas possíveis dentro da atual legislação comercial, com o objetivode socializar o conhecimento, a informação, as idéias, seja na forma de obtenção de lucro financeiro e/ou de lucro social.
a) As editoras comerciais são as pertencentes à iniciativa privada, com necessidade de obtenção do lucro financeiro. Elas se mantêm com publicações financiadas por ela mesma, cujas obras estejam dentro do perfil definido, pagando aos autores os direitos autorais contratados. A editora pode manter diversos selos editoriais para dividir os diversos segmentos editoriais. Também pode ser por demanda, ou seja, ela publica para o autor ou para instituições diversas, não sendo responsável pelos recursos financeiros. Ela pode ser responsável só pela edição ou pode responder também pela distribuição e comercialização das obras. Muitas vezes, as editoras preparam selos específicos para atender a este tipo de demanda.
São vários os tipos de editora existentes, além das comerciais:
b) As religiosas, preocupadas pela difusão das suas idéias relativas à fé, no anseio de manterem seus fieis e na intenção de trazer novos adeptos à sua religião, sendo que o seu lucro é ideológico;
c) As universitárias, que são uma necessidade da atividade, pois têm por um de seus objetivos descritos pelo Ministério da Educação, o incentivo à produção de estudos e a sua divulgação. O seu lucro é a socialização do conhecimento acadêmico;
d) As dos setores governamentais e do terceiro setor, preocupadas em difundir as ações ou estudos realizados por elas. O seu lucro e ideológico, político e social.
Dentro das atividades editoriais têm-se os segmentos, que são definidos pelo conteúdo, pela apresentação ou pela idade do público a ser atendido:
a) Didáticos e paradidáticos;
b) Obras gerais:
- Romances infantis e juvenis;
- Romances;
- Biografias;
- Arte;
- Dicionários e enciclopédias;
- Religiosos;
- Livros técnicos – científicos (referência).
-Infantis, infanto-juvenis.
Nos formatos e suporte(mídia) em papel:
Capa dura, capa mole, bolso,pocket, e formatos distintos;
Segundo SAAB (1999), o livro pode ser caracterizado como um produto destinado a lazer, cultura e educação. Conforme a predominância de cada uma destas destinações, o produto livro possui características distintas e vai atingir diferentes mercados permitindo, dessa forma, a especialização de editoras e livrarias.
Esta é a fase da cadeia produtiva em que mais se destaca, pois, é a partir daqui que as transformações realmente se iniciam. Este processo é básico para a maior parte das publicações.
a) Avaliação dos originais
Depois do trabalho de escrever e organizar as idéias, os originais são entregues para análise ou orçados. Dependendo se o autor conseguiu que seu trabalho seja avaliado por uma editora comercial, ou ele mesmo vai bancar ou vai preparar um orçamento para buscar um patrocinador;
b) Planejamento editorial
Cada editora tem um perfil próprio de trabalho. Nesta fase, o editor dá a necessária dimensão da obra;
c) Contrato
É um processo básico, pois dá a noção dos direitos e deveres das partes envolvidas. Nele, são definidos tiragem, direitos autorais, prazo de vigência, valores e outros.
d) Projeto gráfico
Nesta fase do processo o editor desenha o produto, dá formato, define o tipo de papel, tipo de letra, capa, ou seja, dá as premissas da publicação;
e) Revisão dos originais, tradução
Esta é uma parte importante do processo editorial. Há necessidade de se ter um excelente profissional para revisar ou traduzir o conteúdo, pois, muitos produtos existentes no mercado pecam por não apresentar uma revisão ou tradução adequadas. Entende-se que possuir bom conteúdo é essencial; mas, a falta de uma boa revisão ortográfica e gramatical tira o desejo da leitura de qualquer ser humano. Muitas vezes, nesta fase do trabalho se é obrigado a devolver a obra para o autor, pois pode haver a necessidade de reescrever ou escrever parte ou todo o produto;
f) Produção (pesquisa de imagens - fotos e ilustrações)
Também chamando de pesquisa iconográfica. Com as informações de leitura do texto, parte-se para a pesquisa de campo de ilustrações ou fotos necessárias, para deixar a obra perfeita. Muitas vezes pode-se encomendar trabalhos específicos a fotógrafos e ilustradores, para que as imagens tenham as mesmas informações que o texto, ou dar informações complementares;
g) Tratamento de imagens
Depois de toda a pesquisa feita, para se poder dar andamento para finalização da obra, tem-se que adequar as imagens, para que as mesmas possam servir para originais da publicação;
h) Edição
É a montagem dos textos com as imagens, gráficos e outros para preparação da parte de design;
i) Adequação às normas da ABNT, para publicações acadêmicas e oficiais
Esta fase segue as condições de normatização e padronizações exigidas pela ABNT, para as condições mínimas de qualidade do produto;
j) Design gráfico e diagramação
É a fase onde a editora se destaca. É nela que o editor e sua equipe conseguem traduzir tudo que se faz necessário para que a obra tenha conteúdo e apresentação uniformes;
k) Revisões de prelo
Depois de todo o trabalho, é feita uma primeira impressão do trabalho e efetivados os ajustes necessários, para posterior apresentação do mesmo ao cliente;
l) Aprovação do cliente
Uma prova do produto é impressa e serve de base para a autorização final do cliente, onde são feitas as últimas anotações necessárias, para o fechamento da publicação;
m) Catalogação da publicação e obtenção de ISBN ou ISSN
Com o produto pronto, há necessidade de se efetivar seu registro junto às instituições que controlam as publicações. Isto seria como um registro de marca, onde o autor é o detentor dos direitos. Muitos dos materiais produzidos no Brasil não efetivam seu registro e, grande parte da memória do que é publicado é perdido, pela simples falta deste procedimento;
n) Fechamento de arquivos digitais
Depois de todas as fases realizadas, a editora vai produzir o arquivo digital necessário, que é entregue para a gráfica imprimir a publicação. Também se tem, hoje, as publicações digitais ou eletrônicas;
o) Produção gráfica e impressão (fotolito, prova prelo, impressão)
A gráfica vai cumprir fielmente o que a editora projetou, pois seguem todas as informações referente ao desenho do produto, como tipo de papel, acabamento, cor e outras informações. Como se vê, a gráfica é uma parte do processo: ela recebe o material; revisa os arquivos, verificando se estão adequados ao seu sistema de pré-impressão (biro – próprio ou terceirizado); prepara os fotolitos(esse processo pode ser terceirizado), imprime uma versão final impressa nas prensas da empresa, que é remetida à editora para aprovação. A partir da autorização, é que se imprime o produto. Depois disso, o material é embalado e entregue à editora, que fará a distribuição ou entregará direto ao seu cliente;
p) Depósito legal na Biblioteca Nacional
Este é o ultimo processo feito na fase editorial. Existe uma determinação legal (decreto 1.825, de 20 de dezembro de 1.907) de que todas as publicações que tenham um perfil específico sejam encaminhadas para a Biblioteca Nacional, visando a preservação cultural do País;
q) Distribuição
Este é o elo de ligação entre a editora e o varejo. Pode ser uma divisão da editora ou uma empresa independente própria ou terceirizada. Em boa parte dos países, as publicações têm um preço de capa pré-definido na editora, ou seja, em qualquer lugar que você for procurar a obra para comprar, ela terá o mesmo valor. No Brasil existe esta normatização e a distribuidora terá um percentual de desconto (de 50 a 80%) sobre o valor de capa, sendo que parte deste desconto é repassado ao ponto de venda com um percentual (de 30% a 50%) menor para cobrir suas despesas. Não se pode esquecer de lembrar que, no Brasil, livros, revistas e periódicos tem imunidade tributária de ICMS, exceto nas contribuições. Sempre se deve efetuar um contrato de distribuição com os direitos e deveres das partes. Em boa parte, as editoras entregam os produtos em consignação com os distribuidores, com prestações de contas que variam de dois a seis meses e com carência de pagamento de 45 a 60 dias. Desta forma, podemos observar que o preço tem que ser adequado às necessidades de cobrir custos do processo e suas escalas, assim como ele deve ter um preço compatível com o que o mercado está disposto a pagar pelo produto;
r) Canais de Venda (varejo)
São responsáveis pela comercialização dos livros. Existem os pontos tradicionais e, em virtude da pouca quantidade de pontos existentes, as editoras e distribuidoras estão procurando novas formas de comercialização. Pontos tradicionais: livrarias; marketing direto; porta a porta; governo; bibliotecas; feiras de livro; escolas e colégios. Novos pontos: bancas de jornal; Internet; supermercados e lojas de conveniência e outros pontos distintos de atividades comerciais. Exemplo: a editora tem um livro sobre boa alimentação e nutriente, que pode ser colocado em pontos de vendas nas farmácias de manipulação.
Observa-se que os pontos de vendas tradicionais ou as ferramentas utilizadas têm a necessidade de modernizar, seja na sua forma de agir, seja nos processos, como na forma de interagir com o público, pois, de certa forma, o público está mais seleto e existe uma concorrência de novos pontos de comercialização.
Segundo Carlos Haag (2004)... “O Brasil conta, hoje, com cerca de 700 livrarias (o ideal seria pelo menos 10.000, segundo cálculos do SNEL), em sua maioria concentradas nas regiões Sudeste e Sul. Sem elas, onde vender?”.
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